
Este texto é uma versão reescrita e adaptada para a newsletter da Ruminantes, com base no artigo “How Clear Objectives Lead to Smarter Bull Selection”, da autoria de Maddy Rohr, publicado no portal The Dairy Site, com contributos de Jeff Mafi (American Angus Association) e Travis Meteer (University of Illinois Extension).
A escolha de um novo touro para o efectivo é uma decisão estratégica, mas pode tornar-se complexa perante a enorme quantidade de dados genéticos, índices, catálogos, fotografias e informação disponível. Especialistas alertam que, antes mesmo de entrar num leilão — presencial ou online — é essencial definir claramente os objectivos do programa e os critérios de selecção.
Cada exploração tem prioridades diferentes, orçamentos distintos e preferências genéticas próprias. Por isso, não existe um “touro ideal” universal, mas sim o touro certo para cada sistema de produção.
Segundo Jeff Mafi, gestor regional da American Angus Association, o ponto de partida deve ser sempre o mesmo:
“Definir o que se pretende alcançar. Como vão ser utilizados os touros? Em novilhas ou em vacas? Como serão comercializados os vitelos? Vai manter-se a propriedade dos animais ou reter fêmeas de reposição?”
Responder a estas questões facilita a análise dos catálogos e ajuda a identificar os animais que realmente contribuem para a evolução da exploração.
Funcionalidade vem primeiro
Para Travis Meteer, especialista em bovinicultura de carne da Universidade de Illinois, a selecção deve começar pela capacidade funcional do touro para a reprodução. Isso inclui:
- Bons aprumos e correcção estrutural
- Libido adequada e exame andrológico aprovado
- Condição corporal equilibrada
- Bom temperamento
Só depois destes requisitos básicos estarem assegurados faz sentido aprofundar a selecção genética.
Dados, genómica e selecção multicaracterística
A genética deve estar alinhada com os objectivos de maneio e de mercado. O recurso a EPDs melhoradas com ADN e a índices de selecção multicaracterística permite tomar decisões mais equilibradas, evitando escolhas baseadas apenas num único carácter produtivo.
Hoje, para além dos resultados produtivos, factores como custos de produção, eficiência alimentar, reprodução e longevidade ganham peso crescente nas decisões de selecção.
Não desperdiçar o vigor híbrido
Em explorações comerciais, ignorar o potencial do cruzamento representa uma perda económica. Características como reprodução, saúde e longevidade — de baixa herdabilidade — beneficiam fortemente da heterose materna. Estudos indicam ganhos significativos de rentabilidade por vaca quando se utilizam sistemas de cruzamento bem planeados.
O olhar do produtor
Produtores experientes reforçam que a selecção de touros deve equilibrar dados e observação prática. A solidez estrutural, o fenótipo, o temperamento e a coerência genética continuam a ser critérios decisivos.
Analisar fotografias, EPDs, rácios dentro do grupo contemporâneo e pedigrees é importante, mas falar directamente com o criador continua a ser uma das formas mais eficazes de perceber se um touro se ajusta ao sistema produtivo e aos objectivos da exploração.
Mensagem-chave
A procura de um novo touro começa muito antes do leilão. Definir objectivos claros, estabelecer critérios de selecção e utilizar os dados disponíveis de forma estratégica são passos essenciais para tomar decisões mais seguras, melhorar o desempenho do efectivo e reforçar a rentabilidade a médio e longo prazo.






