
(Adaptação editorial baseada no artigo “Managing hay quality for cows”, publicado no portal The Dairy Site, da autoria do Kansas State Research and Extension (EUA)).
A análise de forragens continua a ser uma das ferramentas mais eficazes para controlar os custos de alimentação e, ao mesmo tempo, garantir o desempenho produtivo e reprodutivo das vacas. Num contexto de margens cada vez mais apertadas, conhecer com rigor a qualidade do feno disponível na exploração é essencial para tomar decisões acertadas.
As explorações pecuárias produzem, ou têm acesso, a diferentes tipos e qualidades de feno. A gestão estratégica destes recursos começa por compreender dois aspectos fundamentais: o valor nutricional das forragens disponíveis e as necessidades reais do efectivo em cada fase produtiva. O objectivo é simples, mas decisivo: ajustar a oferta de nutrientes à procura, evitando tanto carências como excessos, sobretudo de energia e proteína.
Organizar o feno é o primeiro passo
Uma boa gestão do feno começa pela sua organização em lotes homogéneos. Estes lotes devem ser definidos com base no tipo de forragem (gramíneas, leguminosas, sorgo forrageiro), no corte, na parcela ou na origem. Cada lote deve ser armazenado de forma separada e devidamente identificado, facilitando o controlo e a posterior utilização.
Forragens consideradas de “alto risco” — por exemplo, com presença de infestantes, bolores ou potencial acumulação de nitratos — devem ser segregadas e armazenadas em zonas específicas, bem identificadas, evitando misturas indesejadas.
Amostragem correcta: onde muitos erram
Depois de definidos os lotes, é fundamental garantir uma amostragem representativa. Os laboratórios analisam quantidades muito reduzidas de material, pelo que esses poucos gramas têm de representar correctamente toneladas de feno.
Como regra prática, recomenda-se a amostragem de cerca de 20% dos fardos de cada lote, utilizando uma sonda própria para forragens, que assegura uma amostra equilibrada entre folhas e caules. As amostras devem ser acondicionadas em sacos adequados, identificadas e conservadas refrigeradas ou congeladas até ao envio para o laboratório.
Que análises pedir?
Os laboratórios disponibilizam diferentes métodos e pacotes de análise. A química húmida continua a ser a referência em termos de precisão, enquanto a espectroscopia no infravermelho próximo (NIRS) permite resultados mais rápidos e a custos inferiores.
Para uma avaliação eficaz da forragem, devem ser considerados, no mínimo:
- Matéria seca
- Proteína bruta
- Energia (NDT, energia líquida de manutenção e de ganho)
- Cálcio e fósforo
Sempre que possível, recomenda-se a inclusão das fracções fibrosas:
- FDN (fibra detergente neutro), relacionada com o consumo voluntário
- FDA (fibra detergente ácido), associada à digestibilidade e ao valor energético
Estas informações permitem estimar com maior precisão o consumo, a digestibilidade e o desempenho esperado dos animais.
Atenção a bolores e nitratos
Se o feno foi colhido em condições menos favoráveis, apresenta elevada proporção de infestantes ou resulta de culturas propensas à acumulação de nitratos, pode justificar-se a realização de análises específicas. Conhecer estes valores é essencial para uma correcta gestão, nomeadamente através da diluição com outras forragens, garantindo níveis seguros na dieta.
Classificar o feno para alimentar melhor
Com base nos resultados laboratoriais, o feno pode ser organizado em quatro grandes categorias de maneio alimentar:
- Feno de baixa qualidade: baixo teor proteico e elevada FDA; adequado a vacas secas ou gestantes em fases de menor exigência, podendo requerer suplementação.
- Feno de qualidade moderada: adequado a vacas gestantes no segundo e terceiro trimestres.
- Feno de alta qualidade: rico em proteína e energia; ideal para fases de maior exigência, como o pós-parto.
- Feno de alto risco: com teores elevados de nitratos ou bolores; deve ser usado com precaução e apoio técnico.
Não adivinhe: analise
A mensagem-chave é clara: gerir bem o feno começa por o analisar. Conhecer a sua composição permite formular dietas mais ajustadas, melhorar o desempenho animal e evitar desperdícios. Mesmo parâmetros que não são obrigatórios, como FDA e FDN, fazem a diferença quando o objectivo é precisão e rentabilidade.






