
(Versão reescrita e adaptada para a Ruminantes, com base no artigo “5 Considerations for Calf Care”, da autoria de Andrea Bedford, que inclui contributos técnicos de Jason Hartschuh (Ohio State University Extension), publicado no portal The Dairy Site)
A saúde e o desempenho dos vitelos raramente são comprometidos por uma única decisão errada. Na maioria dos casos, os problemas surgem de forma silenciosa, associados à inconsistência no maneio diário, seja no ambiente, na alimentação ou na forma como os animais são tratados.
Quando os vitelos recebem estímulos variáveis — alterações frequentes na concentração do leite, horários irregulares, diferenças no fornecimento de água ou falhas na higiene — a digestão, a imunidade e o crescimento ressentem-se. O resultado são animais que não atingem todo o seu potencial e acabam, muitas vezes, sujeitos a tratamentos repetidos.
Segundo Jason Hartschuh, especialista da Extensão da Universidade do Estado de Ohio, a consistência não é apenas uma boa prática de gestão: é uma necessidade biológica. Reduzir a variabilidade no dia a dia é um dos caminhos mais eficazes para melhorar a saúde dos vitelos e prevenir problemas antes de estes surgirem.
1. Preparação do leite em pó
Os programas de aleitamento podem estar bem definidos no papel, mas falhar na prática. Estudos mostram grandes variações no teor de sólidos e na temperatura do leite, mesmo quando os tratadores seguem as mesmas instruções.
Estas oscilações obrigam o sistema digestivo do vitelo a adaptações constantes, favorecendo fezes líquidas, menor ingestão e crescimento irregular. Para reduzir este risco, é essencial:
- Pesar o leite em pó em vez de medir “a olho”
- Controlar regularmente o teor de sólidos
- Garantir que o leite chega ao vitelo à temperatura correcta, e não apenas ao balde de mistura
2. Qualidade da água e acesso
A água é frequentemente subvalorizada no maneio de vitelos, mas a sua qualidade e disponibilidade têm impacto directo no desempenho. Diferenças na origem da água, no teor de sais ou na contaminação microbiana podem influenciar a digestão e a saúde.
Resultados de investigação mostram que vitelos com acesso precoce e regular à água apresentam melhor desenvolvimento do rúmen e maior ganho de peso. Boas práticas incluem:
- Análises regulares da água (sódio e bactérias)
- Reavaliação sazonal da qualidade
- Disponibilização de água desde os primeiros dias de vida
3. Higiene dos equipamentos de alimentação
Programas de higienização incompletos favorecem a persistência de bactérias. Água demasiado quente no enxaguamento inicial, secagem insuficiente ou tetinas danificadas contribuem para a formação de biofilmes e aumentam o risco sanitário.
A atenção deve centrar-se em:
- Temperatura correcta da água no primeiro enxaguamento
- Secagem completa dos equipamentos
- Verificação regular e substituição das tetinas
4. Horários e técnica de fornecimento
Os vitelos adaptam-se rapidamente à rotina. Alterações frequentes nos horários, volumes ou técnicas de fornecimento quebram essa adaptação.
A consistência deve abranger:
- Horários de alimentação regulares
- Técnica uniforme entre tratadores
- Posição correcta do biberão, garantindo o fecho adequado da goteira esofágica e uma digestão eficiente
5. Temperatura e ventilação
As variações climáticas colocam desafios adicionais ao maneio. Tentativas de proteger os vitelos do frio através do fecho excessivo dos pavilhões podem comprometer a qualidade do ar e aumentar o risco de problemas respiratórios.
Mais do que controlar pontualmente a temperatura, é fundamental manter consistência na ventilação, ajustando de forma proactiva:
- Camas e protecção térmica
- Ventilação ao nível do vitelo
- Intervenções com base no comportamento dos animais






