As micotoxinas representam um desafio significativo e generalizado para o setor pecuário em todo o mundo. Nas vacas leiteiras, podem ter um impacto devastador na eficiência alimentar, reprodução e produção de leite, e podem afetar negativamente o crescimento. Numa entrevista à Dairy Global, uma plataforma internacional especializada em conteúdos sobre a indústria leiteira, Wade Robey falou sobre os impactos fisiológicos, as medidas de mitigação e o valor de uma boa estratégia para combater as micotoxinas na produção de leite.
Wade Robey é, atualmente, presidente da Amlan International e vice-presidente de Agricultura da Oil-Dri Corporation of America. Ingressou na empresa em 2021 e, desde então, tem desempenhado um papel fundamental no desenvolvimento de estratégias para a mitigação dos efeitos das micotoxinas na produção animal.
Wade Robey explicou que o aumento da presença de micotoxinas na silagem não é um fenómeno isolado, mas sim algo que pode variar de ano para ano, dependendo das condições agronómicas e climáticas. Após a colheita, o processo de ensilagem pode favorecer o crescimento de fungos, levando à formação de micotoxinas, especialmente durante a fase aeróbica, antes da acumulação dos ácidos láctico e acético. Segundo ele, diferentes micotoxinas predominam em diferentes períodos, e algumas, como a Aflatoxina, são particularmente preocupantes devido à sua capacidade de passar para o leite.
O especialista destacou que as micotoxinas têm um impacto significativo na produção leiteira, afetando o ganho de peso, a eficiência alimentar e a saúde geral dos animais. Algumas são especialmente prejudiciais para o sistema reprodutivo, podendo aumentar a taxa de abortos, comprometer o peso dos bezerros e afetar a quantidade e qualidade do leite produzido. As vacas de alta produção são mais suscetíveis devido ao stress nutricional e reprodutivo, e os bezerros, com rúmens ainda subdesenvolvidos, também enfrentam um risco elevado.
No que diz respeito às estratégias de mitigação nos Estados Unidos, Robey afirmou que há espaço para melhorias. Destacou a importância de monitorizar as condições climáticas e utilizar relatórios de instituições como o USDA para avaliar a prevalência de micotoxinas. Além disso, mencionou a necessidade de sistemas de vigilância adequados, como laboratórios regionais, departamentos universitários e kits de testes rápidos na exploração. Uma vez formadas as micotoxinas, pouco pode ser feito além de mitigá-las na dieta, sendo os produtos aglutinantes uma ferramenta essencial para evitar a absorção dessas substâncias pelo organismo animal.
Ao abordar a suscetibilidade às micotoxinas, Robey sublinhou que os bezerros são extremamente vulneráveis devido ao seu rúmen ainda em desenvolvimento. Além disso, animais com défices nutricionais, doenças ou submetidos a más condições ambientais têm um sistema imunitário mais fraco, tornando-se ainda mais expostos aos efeitos negativos das toxinas. Níveis elevados de micotoxinas podem ultrapassar as defesas naturais do organismo, atingindo órgãos como o fígado e os rins, e não podem ser combatidos apenas com uma boa nutrição ou medicamentos; é fundamental utilizar estratégias de aglutinação para remover as toxinas do sistema digestivo.
Por fim, o especialista esclareceu que nenhuma exploração pode estar completamente livre de micotoxinas. Mesmo agricultores que cultivam o seu próprio milho, produzem a sua própria silagem e misturam a sua própria ração total (TMR) estarão inevitavelmente expostos a algum nível de contaminação. Por isso, recomendou a adoção de uma estratégia contínua de mitigação, intensificando as medidas sempre que necessário. A utilização de produtos de largo espectro para a proteção contra micotoxinas é uma estratégia eficaz e de custo relativamente baixo, considerando os potenciais danos que estas substâncias podem causar. Além disso, sublinhou a importância da vigilância constante e do uso de inibidores de bolores para garantir uma alimentação segura para as vacas leiteiras e, consequentemente, uma produção de leite otimizada.






