A eficiência produtiva das vacas leiteiras depende, em grande parte, da capacidade do rúmen em transformar a fibra das forragens em nutrientes disponíveis para o animal. Foi precisamente para compreender melhor este processo que a Ruminantes visitou o laboratório de fermentação da Zinpro, em Santiago de Compostela, onde está a ser desenvolvida investigação sobre o IsoFerm®, uma solução nutricional baseada em isoácidos destinada a melhorar a digestão da fibra, a eficiência ruminal e a produção leiteira.
Segundo Arturo Gómez, responsável global de Investigação e Desenvolvimento da Zinpro, cerca de 65% da proteína ingerida pela vaca é degradada no rúmen. O desafio consiste em maximizar essa fermentação, favorecendo o desenvolvimento das bactérias responsáveis pela digestão da fibra. Os isoácidos desempenham um papel essencial nesse processo, funcionando como nutrientes indispensáveis para as bactérias fibrolíticas e aumentando a produção de proteína microbiana, considerada a fonte de proteína mais eficiente para a produção de leite.
Os responsáveis da empresa sublinham que o IsoFerm não é um aditivo, mas um nutriente naturalmente presente no rúmen. A tecnologia desenvolvida pela Zinpro permitiu ultrapassar as limitações que, durante décadas, impediram a utilização prática dos isoácidos, nomeadamente o seu odor intenso, tornando possível a sua incorporação em alimentos compostos e dietas para vacas leiteiras.
A investigação realizada, primeiro em laboratório e depois em explorações comerciais, demonstrou melhorias na digestibilidade da fibra, na utilização do azoto e na eficiência alimentar. Em determinadas condições nutricionais, os ensaios registaram um aumento da digestão da fibra detergente neutra (NDF), maior ingestão de matéria seca e incrementos da produção leiteira na ordem dos 4%, acompanhados por melhorias da eficiência alimentar entre 5% e 5,5%. Os estudos também apontam benefícios durante o período de transição, com melhor condição corporal, menor incidência de cetose, maior persistência da lactação e redução das perdas produtivas associadas ao stress térmico.
Os especialistas salientam, contudo, que o IsoFerm não é uma solução universal. A suplementação deve ser decidida com base numa análise detalhada da dieta e das características da exploração, uma vez que nem todas as vacas apresentam défices de isoácidos. A formulação de precisão continua a ser determinante para maximizar os benefícios da tecnologia.
A principal conclusão é que a otimização do microbioma ruminal representa uma nova abordagem para aumentar a eficiência produtiva, melhorar a utilização das forragens e reduzir o impacto ambiental da produção leiteira. Alimentar corretamente o rúmen pode ser tão importante como alimentar a própria vaca.
Fontes: Revista Ruminantes; Zinpro.
Artigo original: Zinpro® IsoFerm®: Alimentar o rúmen, Revista Ruminantes n.º 62






