As alterações climáticas, a necessidade de produzir mais alimento com menos recursos e a procura de sistemas agrícolas mais sustentáveis estão a transformar a produção de forragens. Foi para conhecer algumas das soluções que poderão marcar o futuro das pastagens que a Lusosem promoveu uma visita técnica à Barenbrug, nos Países Baixos, reunindo produtores e técnicos portugueses e açorianos. O objetivo foi conhecer novas estratégias de melhoramento genético, misturas multiespécies e práticas de maneio capazes de aumentar a resiliência das explorações.
Nos campos experimentais da Barenbrug, os participantes observaram dezenas de variedades e misturas forrageiras desenvolvidas para responder aos desafios das próximas décadas. Atualmente, a seleção de espécies já não se centra apenas na produtividade. A prioridade passa também pela digestibilidade, eficiência na utilização da água e dos nutrientes, resistência à seca e maior estabilidade da produção em condições climáticas adversas. As misturas de gramíneas e leguminosas assumem um papel cada vez mais importante por aumentarem a persistência das pastagens e reduzirem o risco associado às variações climáticas.
A visita incluiu ainda explorações leiteiras onde a erva constitui a principal fonte alimentar do efetivo. Os produtores mostraram como práticas como o pastoreio eficiente, a ressementeira frequente e a valorização da proteína produzida na própria exploração permitem reduzir custos, aumentar a autonomia alimentar e responder às exigências crescentes do mercado em matéria de sustentabilidade e bem-estar animal.
Na entrevista concedida à Ruminantes, Manuel Laureano, da Lusosem, sublinha que os agricultores procuram atualmente soluções duradouras e não apenas variedades com elevada produção de matéria seca. Em Portugal, onde a irregularidade da precipitação e os verões secos representam desafios constantes, torna-se essencial apostar em variedades persistentes, resistentes à seca e adaptadas às diferentes regiões do país. As leguminosas desempenham igualmente um papel crescente, contribuindo para a fixação biológica de azoto, a redução da utilização de fertilizantes e a melhoria da biodiversidade das pastagens.
A principal mensagem da visita é clara: o futuro da produção forrageira dependerá da integração entre genética, maneio e nutrição. Investir em sementes de qualidade e em pastagens mais resilientes não representa apenas um custo, mas uma estratégia para aumentar a competitividade, reduzir a dependência de fatores externos e reforçar a sustentabilidade das explorações pecuárias.
Fontes: Revista Ruminantes; Lusosem; Barenbrug.
Artigo original: Pastagens para o Futuro, Revista Ruminantes n.º 62






