Um artigo adaptado da Dellait analisa como os inoculantes enriquecidos com α-amilase podem melhorar a digestibilidade do amido, aumentar a eficiência alimentar e contribuir para maiores produções de leite sem aumentar o consumo.
(Adaptação editorial de um artigo de Álvaro García, publicado no Dellait Knowledge Center)
A utilização de inoculantes enriquecidos com α-amilase poderá representar uma nova oportunidade para aumentar a eficiência alimentar nas explorações leiteiras, melhorando simultaneamente a digestibilidade do amido, a fermentação da silagem e o desempenho produtivo das vacas.
Como atua a α-amilase na silagem
A α-amilase é uma enzima capaz de degradar o amido em açúcares mais simples, como maltose e glucose, tornando-o mais acessível aos microrganismos do rúmen. Quando incorporada em inoculantes para silagem de milho, esta enzima começa a atuar ainda durante o processo de ensilagem. Assim, aumenta a disponibilidade de hidratos de carbono fermentáveis e favorece a produção de ácido láctico pelas bactérias benéficas.
Mais leite sem aumento da ingestão
Segundo um estudo de Silva et al. (2025), publicado no Journal of Dairy Science, vacas Holstein alimentadas com silagens tratadas com α-amilase produziram mais leite sem aumento da ingestão de matéria seca. Este resultado sugere, portanto, uma melhoria da eficiência de utilização dos nutrientes. Além disso, as vacas alimentadas com dietas contendo 10% de milho tratado produziram cerca de mais 1,4 kg de leite por dia relativamente ao grupo controlo.
Para além do impacto produtivo, os autores destacam benefícios ao nível da digestibilidade total do trato digestivo. Neste contexto, silagens tratadas com enzimas tendem a originar menores quantidades de amido residual nas fezes, indicando melhor aproveitamento nutricional e, consequentemente, menor desperdício energético.
Outro dos efeitos positivos prende-se com a própria fermentação da silagem. Ao libertar açúcares nas fases iniciais da ensilagem, a α-amilase favorece o desenvolvimento de bactérias ácido-lácticas como Lactiplantibacillus plantarum, acelerando a descida do pH e contribuindo para uma estabilização mais rápida da silagem. Como resultado, isto ajuda a reduzir deteriorações e a limitar fermentações indesejáveis.
Ainda assim, os investigadores sublinham que o sucesso desta estratégia depende de vários fatores de maneio, como:
- bom processamento do grão;
- adequada compactação da silagem;
- teor de humidade correto;
- e correta distribuição do comprimento de corte.
Além disso, um índice de processamento do grão (KPS) superior a 70% é considerado essencial para garantir que os grânulos de amido ficam suficientemente expostos à ação enzimática.
Potencial económico para as explorações
Do ponto de vista económico, a melhoria da eficiência alimentar poderá traduzir-se num aumento da margem sobre o custo alimentar, especialmente em contextos de elevados preços dos cereais. Paralelamente, uma digestão mais eficiente do amido poderá também contribuir para reduzir o risco de acidose e, ao mesmo tempo, melhorar a saúde ruminal.
Por outro lado, a utilização de inoculantes com amílase poderá ainda trazer vantagens ambientais. Uma maior produção de propionato no rúmen reduz a disponibilidade de hidrogénio para a formação de metano, podendo, assim, contribuir para diminuir as emissões entéricas por unidade de leite produzida.
Num contexto de aumento dos custos alimentares e necessidade crescente de eficiência produtiva, os inoculantes enzimáticos começam a ganhar relevância como ferramenta nutricional para melhorar simultaneamente a rentabilidade e a sustentabilidade das explorações leiteiras.
O artigo original intitula-se “Improving corn silage efficiency with amylase-enriched inoculants” e foi publicado por Álvaro García no Dellait Knowledge Center.






