Diminuição do número de vacas e aumento dos custos colocam produtores sob pressão, enquanto exportações e importações moldam o futuro do setor
O setor leiteiro da Ucrânia atravessa um período de forte pressão, marcado pela redução contínua do número de vacas e pelo aumento dos custos de produção. Esta tendência poderá levar a uma escassez de leite cru até ao final de 2026.
Nos primeiros meses do ano, as explorações industriais registaram uma diminuição significativa do efetivo bovino, sem sinais de recuperação. Esta quebra na produção deverá refletir-se num aumento dos preços dos produtos lácteos, que poderão subir entre 15% e 25% nos próximos meses.
Ao mesmo tempo, os produtores enfrentam custos mais elevados, sobretudo na alimentação animal, devido ao aumento das despesas agrícolas. Também os custos de manutenção dos animais estão a crescer, enquanto as explorações terão de investir em modernização para cumprir os requisitos de integração europeia até 2028.
Outro fator crítico é a descida dos preços pagos aos produtores de leite cru, o que tem comprometido a rentabilidade da atividade durante vários meses consecutivos.
Apesar do risco de redução da produção, o impacto no mercado interno deverá ser limitado no curto prazo. Uma parte significativa do leite produzido na Ucrânia é destinada à exportação, sobretudo para países da União Europeia, pelo que uma eventual quebra de produção poderá refletir-se principalmente na diminuição das exportações.
Ainda assim, o setor enfrenta desafios adicionais devido ao aumento das importações, que já representam uma fatia considerável dos produtos disponíveis no mercado interno. A competitividade dos produtores ucranianos é afetada pelo facto de muitos produtores europeus beneficiarem de apoios financeiros, o que contribui para preços mais baixos no mercado.
Perante este cenário, alguns produtores começam a ponderar abandonar a atividade, o que poderá agravar ainda mais a queda na produção de leite no país.
Fonte: www.dairyglobal.net






